Reflexões sobre o conceito de capacitismo no ambiente acadêmico

Palavras-chave: Barreiras, Cultura de exclusão, Baixa divulgação

Resumo

As barreiras arquitetônicas e sociais refletem a falta de informação que perpetua uma cultura de exclusão. Esse cenário também pode ser observado na educação superior, onde a ausência de conscientização agrava ainda mais a situação. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo investigar se, no ambiente acadêmico, os alunos compreendem e reconhecem o conceito de capacitismo. A metodologia adotada foi de caráter quantitativo com elementos qualitativos, utilizando um questionário online como instrumento de coleta de dados. O questionário foi enviado por grupos de redes sociais e e-mails para diferentes coordenações de programas universitários. O grupo amostral do estudo teve 154 participantes, representando as cinco regiões brasileiras. Das deduções bibliográficas, caracterizou-se que a relação capacitista muitas vezes é mantida e despercebida pelas pessoas, por não conhecerem o conceito, fazendo ocorrer atitudes preconceituosas entre elas. Apesar da quantidade de alunos com deficiência nas universidades brasileiras estarem aumentando, nos dados coletados identificou-se uma baixa divulgação sobre o capacitismo. Concluiu-se, com este estudo, que é necessário compreender e divulgar os direitos humanos contra a discriminação no ambiente acadêmico, principalmente na formação do docente, pois, o dado coletado do valor percentual de debates sobre o conceito e ações capacitistas ainda é baixo no ambiente acadêmico.

Biografia do Autor

Marco Antonio Gomes Teixeira da Silva, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Bacharelado em Informática (Enf. Análise Sistema) pela Universidade Estácio de Sá (2007), graduação de Tecnólogo em Sistemas de Telecomunicações pelo Instituto Federal Fluminense (2014).

Especialista em Sistemas e produção pelo Instituto Federal Fluminense (2009) e Especialista em Docência do Século XXI pelo Instituto Federal Fluminense (2016).

Mestrado em Ciências Naturais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2019). 

Doutorando em Ciências Naturais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2021-2025), com pesquisa sobre as TDICs e suas aplicações no ensino-aprendizagem inclusivo de ciências: formação inicial e continuada de docentes

Mariana Mattos Manhães Machado, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Graduação em Química pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2016) e mestrado em Ciências Naturais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2019). Atualmente é doutoranda em Ciências Naturais, mediadora pedagógica (tutor) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, e professor II da Escola Municipal Sagrada Família em Campos dos Goytacazes-RJ. Tem experiência na área de Química e educação inclusiva

Sergio Luis Cardoso, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas pelo Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ (1986-1990) e diretamente após a graduação obteve o título de Doutor em Ciências na área Química Orgânica pelo Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1991-1995) após realização da parte experimental de sua tese (doutorado sanduiche) no Center for the Earlier Events in Photosynthesis na Arizona State University, Arizona, EUA (1993-1994). Professor Associado I do Laboratório de Ciências Químicas (LCQUI) do Centro de Ciência e Tecnologia (CCT) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) em Campos dos Goytacazes, RJ (desde 02/1997).

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Publicado
2025-02-28
Seção
ARTIGOS